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Apaixonadas no Divã: "Minha mãe quer que eu faça apenas o que ela quer"

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Olá leitores! Hoje a sessão “Apaixonadas no Divã” vai ser um pouquinho diferente, pois o drama não tem a ver com relacionamento amoroso, e sim com relacionamento familiar. 

Nossa querida leitora K.S se sente pressionada pela mãe e já não sabe mais o que fazer, acompanhem seu relato:
Me chamo K. S e venho passando por um dilema nada agradável. Estou cursando Ciências Contábeis mas meu sonho é cursar Psicologia. Há alguns meses consegui ser selecionada pra cursar Psicologia numa Universidade Pública. Vi meu sonho começar a se tornar realidade, mas minha mãe como sempre estraga tudo. Ela não me deixou ir estudar psicologia porque era em outra cidade (mas a cidade que a gente mora não tem nenhuma Universidade) como sempre ela me faz desistir do que quero. Há alguns dias fiz vestibular para o curso que desejo numa cidade próxima da minha, mas minha mãe fica enchendo o saco dizendo que não vai deixar eu ir estudar em outra cidade e que sou obrigada a cursar contábeis porque é o que ela quer e que devo fazer só o que ela quer. Sinceramente não aguento mais minha mãe me prendendo, me impedindo de ir atrás do meu sonho. A cada dia ela não quer entender que na cidade onde nós moramos não tem oportunidades, é muito difícil conviver com alguém que só quer as coisas do jeito dela, e não se importa com o que eu quero de verdade.. Por favor me ajuda! 

Mamães superprotetoras são mais comuns do que imaginamos. O que acontece é que muitas mães tem dificuldades de perceber que os filhos estão crescidos, e acabam subestimando seu potencial e por isso apresentaram tanta resistência em deixá-los ir. E quando a realidade vivenciada é mais restrita, como cidades interioranas, esta insegurança é ainda maior, como acontece no caso de K.S.

Uma das maneiras de reverter esta impressão é demonstrar maturidade, e isso significa dialogar e evitar ataques de rebeldia. Afinal a cada postura descompensada, a imagem de criança birrenta toma forma no consciente materno, e convencê-la do contrário se torna ainda mais difícil.

Mostrar seu ponto de vista é importante, principalmente expressar seu descontentamento com o autoritarismo imposto, sem gritos, vitimização e agressividade. Uma orientação que costumo apontar para casos em o que diálogo verbal não se estabelece é o diálogo por meio da escrita. Expresse seus sentimentos, sonhos e metas escrevendo uma carta, quando lemos tendemos a prestar atenção verdadeiramente, pois não há como discutir com um papel, assim como após a leitura a reflexão se estabelece mais facilmente, e a chance de repensar certos aspectos se torna mais presente.

apaixonadas no divã

Aprender a estabelecer limites também é necessário, e isso só acontece num exercício diário. Por exemplo: realizando atividades sem depender de sua opinião (como comprar roupas sozinhas); Definir suas afinidades ( deixar claro o que gosta, sem temer sua aprovação); etc

A independência é uma construção que deve ser conquistada dia a dia. Claro que “cortar o cordão umbilical” não é fácil para nenhuma mãe, por isso compreensão e afetividade é fundamental.

Outro ponto que gostaria de ressaltar é o imediatismo identificado em K.S., adiar um sonho não significa que ele nunca se concretizará, muitas vezes temos que pegar o caminho mais longo para a felicidade, mas o importante é continuar a caminhar. Cursar uma área de conhecimento para obter certa estabilidade financeira para depois investir em sua área de interesse é uma saída muito utilizada (isto claro quando se tem certa compatibilidade com a área, pois estudar algo que odiamos é realmente angustiante). Porque temos que trabalhar com nossa racionalidade, e se somos dependentes temos sim que considerar a opinião de nossos mantenedores, pois morar sozinho envolve gastos e responsabilidades que podem não ser compatíveis com nossa realidade. Bem como é importante clarificar para nós mesmos quais são nossas verdadeiras motivações. Será que o desejo de cursar algo em outra cidade não é uma tentativa desesperada de ter um pouco de espaço? E se for este o caso, sinto desapontar, mas como já disse em outros posts, não é a distância que trará limites, e sim nossa postura.

O que me parece K.S. é que sua inquietação está muito mais ligada a atitude invasiva de sua mãe do que a frustração de não poder cursar Psicologia neste momento. Espero que possa refletir sobre os pontos destacados hoje e assumir novas condutas para administrar a superproteção mascarada em autoritarismo que vivencia em casa. E principalmente não desista de seus sonhos!

Um grande beijo à todos e até a próxima!

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(As informações contidas nesta publicação NÃO substituem um atendimento real em setting terapêutico adequado com um profissional psicólogo qualificado.) 

***OBS: Quem quiser participar da sessão Apaixonadas no Divã, pode enviar e-mail para blognamorados@gmail.com com este título.***
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