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Apaixonadas no Divã: " A filha dele é um problema em nossa relação"

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Olá queridos leitores! O caso de hoje da Sessão Apaixonadas no Divã é um exemplo de um drama vivenciado por muitas famílias, que se conduzido de uma maneira inadequada pode levar a sequelas irreparáveis.

Acompanhem comigo:

“Olá meninas, sempre leio as histórias no Apaixonadas no Divã e me identifico muito. Hoje eu queria contar um pouco da minha história. Eu tenho 23 anos e sou casada, com um homem maravilhoso, carinhoso, atencioso, encontrei o homem que me trata como uma princesa, só que nós sempre tivemos um "Problema" ele tem uma filha, e desde o primeiro instante eu e ela não nos demos bem, ela não gosta de mim, e eu fico neutra em relação a ela, a filha dele mora com a minha sogra, que cá entre nós mima demais a menina e aceita tudo o que ela faz, inclusive cuspir na cara dela quando ela é proibida de fazer alguma coisa, a situação não é fácil pois o meu marido aceita tudo, ele se sente culpado por causa da separação, as vezes ela vem pra minha casa, mais ela não é uma criança fácil de interagir, só conversa com o pai e me ignora, já tentei várias vezes conquistá-la, programando coisas legais pra gente fazer e até dando presentes, mais é impossível, um dia ela me chamou vagabunda e disse que jamais iria me obedecer porque eu não era nada dela, e em um outro dia eu estava sentada do lado do meu marido e ela veio e jogou água na minha cara. E o pior de tudo é que meu marido não faz nada, já tivemos várias conversas, já ameacei várias vezes me separar dele se ele não tomasse uma atitude, mais infelizmente ele não toma, estou fazendo tratamento psicológico, pois devido a inúmeras situações entrei em um estado de depressão muito forte. O nosso único motivo de brigas é a filha dele, fora isso não brigamos por nada, quando estamos só nós dois é tudo perfeito, como se não existisse nada melhor do que estar ali ao lado dele. Várias vezes eu pensei que fosse a mãe da menina que mandava ela fazer essas coisas comigo, mais ela nem conversa com a mãe, como eu já disse ela vive com a avó. Estou numa situação delicada, porque eu já cansei de lutar pra conquistar ela, e eu já não aguento mais brigas pelo mesmo motivo. Eu sei que ela é uma criança, ela só tem 6 anos, mais eu tenho muito medo do que essa menina pode chegar a causar no meu casamento. Já não sei mais o que fazer.. Obrigada pelo espaço, onde eu posso desabafar um pouco. Um beijo e até a próxima. A.G”

apaixonadas no divã

Para entendermos este caso revisaremos ponto a ponto:

“Desde o primeiro instante eu e ela não nos demos bem”

Interagir com uma criança nem sempre é a tarefa mais fácil a se realizar, principalmente se esta criança apresenta um quadro clínico como no caso da enteada de A.G. Mas o que temos que levar em consideração é o contexto que esta relação se estabeleceu. Após vivenciar uma separação e sofrer com ela, a entrada de um terceiro componente (no caso A.G.) é vista pela criança como uma invasão, e é natural esta recusa neste primeiro momento, ainda mais levando em consideração a idade da menina, que ainda não é capaz de compreender os “porquês” da vida. Assim como iniciar uma relação com frutos de uma relação antiga é uma tarefa muito difícil, pois além de lidar com os percalços da relação a dois, é incluído no pacote as dificuldades de uma relação à 4: você, seu parceiro, o filho e a ex.

“Quando estamos só nos dois é tudo perfeito”

Muitas pessoas apresentam muita dificuldade em superar este primeiro momento de aceitação, pois por mais que a criança não resida na mesma casa, ela é parte integrante desta relação, e assim sempre será. Por isso para assumir uma relação como esta é preciso muita dedicação e compreensão, e principalmente muita maturidade para lidar com a frustração de que nunca serão só vocês dois. Partindo deste pressuposto tudo se torna mais descomplicado, acreditem.

“A situação não é fácil,pois o meu marido aceita tudo, ele se sente culpado por causa da separação”

A impotência gerada pela culpa é um dos sentimentos mais difíceis de conviver, e em casos de separação eles são muito frequentes. Mas a fantasia da compensação é a pior consequência dela. No caso de A.G. fica claro que este comportamento descompensado da filha só reforça o sentimento de responsabilidade do pai, que possivelmente não é capaz de causar “mais danos” para a filha. O que na realidade é um pensamento errôneo, pois educar, dar limites, dizer não, são atos de amor, pois crianças precisam deste alguém que lhes mostre até onde podem ir. É preciso de que uma vez por todas desmitificarmos este conceito de que quem repreende é o “ruim”, o “mal”, e passarmos a adotar a postura da velha conhecida frase “quem ama, educa”.

“Já tentei várias vezes conquistá-la, programando coisas legais pra gente fazer e até dando presentes”

A questão é se estas tentativas foram realmente para conquistá-la, ou para aquietá-la. Será mesmo que há uma motivação para incluí-la na vida de vocês? Ou quem sabe o desejo é apenas calar o “problema”. Crianças são extremamente sensitivas, e percebem quando alguém lhes quer bem ou não. E tentar “comprá-las” não é a melhor das opções, pois crianças não precisam de brinquedos novos, precisam de carinho e atenção, e principalmente insistência. Se não há o real desejo de se aproximar, o ideal a fazer é não forçar a barra, e adotar a política da boa convivência, trabalhando o respeito mútuo, deixando de lado os sorrisos falsos e as conversas sem interesse. Você pode querer ser uma segunda mãe para o filho do seu parceiro, mas poder não é dever, e sem julgamentos, não é pecado algum não querer assumir este papel.

“Estou fazendo tratamento psicológico, pois devido a inúmeras situações entrei em um estado de depressão muito forte”

Conviver com esta desarmonia é realmente atormentador, e o desejo frustrado de que as coisas melhorem podem desencadear um quadro clinico patológico, como a depressão. E chegado a este ponto, é preciso realmente parar e olhar para si, compreender o que esta havendo na sua vida, limpar os canais de comunicação, para que a mudança necessária aconteça finalmente. E a análise psicológica é um dos instrumentos mais eficazes nestes casos.

“Nosso único motivo de brigas é a filha dele”(...) “eu tenho muito medo do que essa menina pode chegar a causar no meu casamento” 

Em situações como estas precisamos tomar muito cuidado para não transferir todas as nossas lamentações para um único elemento. Sabemos que a afirmação de A.G. é uma inverdade, pois as brigas acontecem entre o casal, e a criança não tem nada a ver com isso. São atitudes do parceiro que levam ao desentendimento. Em outras palavras não adianta se iludir de que se a criança não existisse, as brigas não existiriam, pelo contrário poderiam ser ainda piores, pois não haveria quem “jogar a culpa”, entendem? 


O que acontece no caso de A.G. é que todos estão doentes e precisando de cuidados, e continuar fugindo desta realidade só irá piorar a situação. O comportamento da enteada é reflexo de um sofrimento interno, que precisa ser tratado, crianças não agem assim por acaso, cada comportamento infantil é uma mensagem a ser decifrada, pois é através desta canal que elas nos comunicam como se sentem, é indicado encaminhá-la para a psicoterapia infantil imediatamente, pois além de trabalhar essas angústias na criança, irá intervir e ajudar ao pai a superar o sentimento de culpa e aprender como administrar os limites para educá-la. Assim como prosseguir com o tratamento para a depressão é indispensável para A.G.

Enfim querida A.G. não é fácil mesmo, mas é possível, não desista agora. Desejo-lhe, de coração, que tudo se direcione para a paz tão sonhada, e que possam finalmente conviver em família, e serem felizes juntos. 

Não deixem de registrar suas experiências através dos comentários, é de muita importância esta troca. 

Quem quiser saber mais sobre como lidar com a separação, convido a ler meu artigo Separação de Pais.

Um grande abraço e até a próxima! 

(As informações contidas nesta publicação NÃO substituem um atendimento real em setting terapêutico adequado com um profissional psicólogo qualificado.) 


***OBS: Quem quiser participar da sessão Apaixonadas no Divã, pode enviar e-mail para blognamorados@gmail.com com este título.***
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