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Apaixonadas no Divã: "Sempre me senti muito inferior"

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Olá queridos leitores! O caso de hoje na sessão “Apaixonadas no Divã” traz o relato de nossa leitora R.F. que está passando por um momento bem complicado devido a depressão. Acompanhem seu desabafo comigo:

Olá Jessica. Estava procurando sobre sentimentos de inferioridade e baixo auto estima e encontrei sua sessão no blog Surpresas para Namorados e amei. Minha história é um pouco grande e tensa, mas, eu vou falar o principal, gostaria muito que me ajudasse.
O ano de 2015 para mim simplesmente não existiu, tive depressão e me isolei dos meus amigos e todos ao meu redor. Namoro há 4 anos, e ele é um bom menino, mas nunca me senti boa o bastante para ele, sempre me senti muito inferior, sempre sofri muito. Ele é do tipo que tem a auto estima lá em cima, que só faz academia e etc, ele 'se acha' para ser mais exata (haha). Nunca me achei boa o suficiente, sempre acho que todos as meu redor acham isso. Eu sempre me pergunto, porque?! Sempre choro, porque eu não sou feliz, me sinto presa em mim mesma. Não quero dizer que é culpa dele, acho que primeiramente temos que estar bem com nós mesmas e nunca devemos culpar alguém pela nossa infelicidade. Há 4 anos atrás quando eu estava no primeiro colegial, eu sofri bullying, e etc. Isso me dói porque deixei de ser a pessoa que era, isso me levou, a ter um sonho que era fazer uma cirurgia plástica, eu realmente achava que todos meus sentimentos ruins iriam passar, e aí eu iria ser feliz. Eu fiz e odiei, isso me matou e esse ano as coisas pioraram, a cirurgia deu certo e foi um sucesso enfim, mas não gostei. Meus sentimentos de inferioridade, de medo e auto estima me mataram.. Bom, me sinto muito perdida, porque a única pessoa que eu tive muito contato esse ano foi meu namorado, que ficou do meu lado, mas agora ele está se distanciando e meus amigos simplesmente não ligam mais, ou estão seguindo suas vidas, até porque está todo mundo na faculdade. Eu tomo antidepressivos e faço terapia, mas, eu não sei, eu não consigo confiar em ninguém, não consigo abrir minha vida e meus sentimentos, tenho muita vergonha. Acho que o mundo está contra mim e que todo mundo me julga o tempo todo, até meus pais, eu acho que estão falando mal de mim, tudo isso é muito horrível.
Sentimentos que eu jamais tive, como inveja, eu olho para uma pessoa que está feliz e eu me sinto muito muito triste, eu não queria sentir isso, eu odeio sentir isso.
Como vimos no Caso de A.R., a baixa autoestima merece muita atenção, pois o sentimento de inferioridade nos torna pré-dispostos a desenvolver algum quadro psicopatológico como a depressão ou a síndrome do pânico, por exemplo. Conforme já explicado anteriormente esta visão distorcida de si mesmo deve-se a inúmeros fatores internos e externos, entre eles o feedback que recebemos de nossa rede social.

depressão

E quando este feedback alimenta nossas fantasias negativas o reflexo é extremamente danoso. As consequências são ainda maiores quando se é um alvo de violência, como desabafou R.F. que foi vitima de bullying no colégio. Infelizmente em muitos casos a saída encontrada é tentar se “enquadrar” e se adequar ao que os outros pedem, se estou gorda tenho que emagrecer, se meu nariz é grande devo operá-lo, se meu cabelo é afro devo alisá-lo, e por aí vai... Mas como comprovou nossa leitora R.F., se “enquadrar” não é a solução, pois a questão não é como você está e sim como você se relaciona.

E porque a opinião alheia tem um impacto tão grande? Não podemos generalizar porque cada caso é um caso, mas algo comum a todos é a necessidade de ser aceito pelo grupo. Mas a questão que gostaria de levantar hoje é: será que sabemos escolher qual grupo é o ideal para nós? Ou será que buscamos o que os outros dizem ser o melhor. Para entenderem, às vezes passamos uma parte de nossa vida tentando nos enquadrar ao grupo das populares, quando na verdade nossas características são mais compatíveis com o grupo das estudiosas, por exemplo. Então primeiramente precisamos entender quem somos, e nos aceitarmos como somos, para depois podermos partilhar com um grupo.

Outro aspecto importante que gostaria de ressaltar é a presença de pessoas “parasitas”. É frequente nos depararmos com situações do tipo, a popular tem como melhor amiga a nerd, o mais musculoso namora a moça mais gordinha da turma, etc... relações estas estabelecidas para reforçar as diferenças, afinal, se eu sou gostosa e me relaciono com outras gostosas, eu me torna apenas mais uma, mas quando eu sou a única gostosa do grupo eu me torno exclusiva. É claro que esta situação não é uma verdade absoluta, e existem muitos casos (ainda bem!) de relações afetivas sinceras entre diferentes. Mas quem vivencia a companhia de um “parasita” saberá a diferença, pois é uma relação baseada no oportunismo e não na afetividade. E nesses casos o ideal é o rompimento dessa rede de aproveitamento, pois estar com pessoas que nos valorizem é um dos quesitos fundamentais para manutenção da autoestima.

Como já falei outras vezes, quando a situação chega a uma disfunção fisiológica, como uma doença, é extremamente necessário a procura de ajuda profissional, assim como fez nossa leitora R.F. Todavia, vale orientar que para haver melhora é preciso estabelecer vínculos de confiança, e se profissional e paciente não se “encaixam” o mais adequado é a procura por outro profissional.

Não há receita mágica para acabar com o sentimento de inferioridade, assim como para emagrecer temos que recorrer a vários recursos (dieta, exercício físico, psicoterapia, etc) para melhorar nossa autoestima também temos que buscar vários recursos. Falamos de alguns deles hoje, mas há muitos outros e como no processo de emagrecimento, para autoestima é preciso dedicação e força de vontade para mudar, pois nada acontecerá sozinho.

Querida R.F. espero que possa refletir sobre estes pontos e possa finalmente voltar a movimentar sua vida ruma a felicidade, pois ela é possível sim, e você é capaz de alcançá-la, não desista.

Um grande abraço à todos e até a próxima!

(Atenção: As informações contidas nesta publicação NÃO substituem um atendimento real em setting terapêutico adequado com um profissional psicólogo qualificado.) 

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***OBS: Quem quiser participar da sessão Apaixonadas no Divã, pode enviar e-mail para blognamorados@gmail.com com este título.***
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