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Apaixonadas no Divã: "Não me sinto mais sensual e o desejo sexual diminuiu"

4 comentários
Olá queridos, como vão todos? Espero que muito bem! Nosso caso de hoje na sessão “Apaixonadas no Divã” abordará um assunto muito relevante e presente em relacionamentos de longa duração: atração sexual. Acompanhem comigo o relato da nossa leitora S.P.

Oi, Jéssica! Espero que possa me ajudar com suas palavras amigas e de profissional. Desde que minha filha nasceu, meu relacionamento mudou completamente. Não consigo mais tempo para mim, não me sinto mais sensual e o desejo sexual diminuiu (está quase zero). A prioridade em minha vida tem sido ela e tenho esquecido do resto. O ganho de peso e as mudanças no corpo, a responsabilidade que aumentou e as atividades voltadas somente para nossa filha, estão me impedindo de dar atenção para o meu marido, para mim, de sair, namorar e voltar a ser uma pessoa vaidosa e mais feliz. Nós não temos ajuda da família, pois moramos longe, e isso impede ainda mais que consigamos um tempo para nós dois. Está sendo muito difícil. Eu saí do meu trabalho desde a gravidez e agora estou sentindo muita falta dessa parte também. Sei que preciso organizar minhas prioridades e estabelecer metas, mas nada está saindo do papel. Estou descontando nos doces, que me satisfazem no momento e me dão prazer, mas depois me culpo, porque estou só contribuindo para engordar mais e ficar ainda mais pra baixo. Está virando uma bola de neve. Sei que nada vai ser como antes, mas quero voltar a me sentir bem, uma mulher atraente e sentir prazer em outras coisas, não só na comida. Agradeço muito pela atenção e ajuda!
A frustração vivida por S.P. não se restringe apenas as recém mamães, é muito comum diante de qualquer grande mudança pessoal na vida do casal. Um novo emprego, mudança de cidade, uma grande perda, entre outros, são exemplos de situações que podem privilegiar tais sentimentos.

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Dizer que quando falamos em atração e desejo sexual falamos também de autoestima não me parece ser novidade para ninguém, todos sabem que quando não nos sentimos bem conosco dificilmente atrairemos esse desejo no outro. Mas a questão principal não é esta, e sim um quesito fundamental que falaremos hoje a “ACEITAÇÃO”.

Um dos grandes vilões da autoestima é a dificuldade de aceitação de mudanças, nos apegamos tanto a antiga imagem que fica difícil ver algo positivo na imagem atual. E isso se estende até o quesito relação sexual, um erro muito comum em casais que estão juntos a anos é culpar a rotina e desejar que tudo voltasse a ser “como antes”. Percebem? Esse desejo do antigo está intimamente ligado a dificuldade de aceitação que as coisas mudaram, e enquanto a luta for para voltar só teremos retrocesso e não evolução. 

Quando paramos para pensar no começo, esquecemos de olhar para as pessoas que éramos naquela época, e por isso surge a frustração, porque no fundo o que queremos é aquela sensação boa que já foi vivida. Entender a realidade atual é o primeiro passo. Se questionar mesmo: “quem eu sou hoje”, “o que eu gosto hoje”, “como sinto prazer hoje” ... E a partir dessas descobertas se adaptar. 

Usarei o excesso de peso para exemplificar:

“Estou gorda, quero emagrecer para me sentir mais bonita, então vou me exercitar e fazer uma dieta. E enquanto esse processo acontece vou procurar maneiras de me sentir mais a vontade com meu corpo, como não me despir por inteira para fazer sexo, ou deixar a luz apagada, pois assim estarei me preocupando menos com o que meu parceiro está vendo e me preocuparei mais com o que ele está sentindo. ”

E nessa hora vale tudo, tentar outras posições, assistir pornografia, realizar fantasias, etc. É se descobrir novamente, pois depois que o excesso de peso se for, você continuará sendo a mesma pessoa, só mais magra. 

É preciso quebrar o ciclo vicioso da lamentação e passar a agir de fato, com metas realistas, buscando menos “voltar a ser” e lutando mais pelo “como quero estar”. Existem muitas técnicas de automotivação que podem auxiliar nesse processo, como por exemplo deixar as metas visíveis espalhadas no seu lugar de convívio, ou criar uma ficha com 5 itens e ler diariamente a si mesmo como uma medicação controlada, a ajuda de um profissional coaching também pode contribuir muito com esse processo. 

Vale lembrar que o parceiro também deve ajudar, é preciso muita sinceridade, contar para o outro como se sente, como se vê, para ele conseguir entender e fazer diferente, sem cobranças. Pois com o apoio de quem amamos tudo se torna mais fácil. 

Enfim, fases difícil fazem parte, falta de tempo faz parte, e o legal é que são fases, e como toda fase é passageira.

No caso de S.P, sua filhinha irá crescer, e esta correria irá diminuir, então enquanto isso é preciso “se virar nos 30” e resgatar esse envolvimento que ela tanto sente falta. No caso das mamães como S.P., é preciso trabalhar o quesito “culpa” e aprender a se colocar como prioridade de vez em quando, deixar seu filho com uma babá para ir para o motel com seu marido não é um pecado, você não estará abandonando seu filho, pelo contrário você estará reforçando o vínculo familiar, pois vamos lembrar que antes de serem mãe e pai, vocês eram um casal, e foi a partir de vocês juntos que a família nasceu, por isso não se pode perder esse vínculo a dois. Sempre recomendo em consultório, que os pais devem por obrigação separar alguns dias para sair e namorar, seja qual for a idade da criança. Não se trata apenas de sexo, mas de olho no olho, beijo na boca, se arrumar para o outro, etc.

Com atitudes simples é possível reverter esses sentimentos e parar de buscar compensações na comida, nas compras, no sono, entre outros. O segredo está no aceitar. 

Querida S.P., obrigada pela confiança e espero que minhas palavras possam fazê-la repensar algumas questões e ajudá-la na recuperação do “tempero” que está faltando em seu relacionamento.

Um grande beijo a todos, não deixem de comentar e espero vocês no próximo caso inédito aqui na nossa sessão!


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(Atenção: As informações contidas nesta publicação NÃO substituem um atendimento real em setting terapêutico adequado com um profissional psicólogo qualificado.)

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***OBS: Quem quiser participar da sessão Apaixonadas no Divã, pode enviar e-mail para blognamorados@gmail.com com este título.***
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4 comentários:

  1. Nossa, eu precisava ler tudo isso!
    Realmente depois de uma grande mudança, principalmente 'em nós' fica mt dificil conciliar mt coisas. Meu filho tem 2 anos e eu ainda tento me encontrar e me recolocar na vida.

    Ótimo post!

    Bjooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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    1. Fico muito contente Fernanda! Espero que consiga refletir e identificar a Fernanda de Hoje, que além de mãe de um menino de 2 anos, tem muitas outras prioridades! Obrigada pelo carinho! Abraços...

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  2. Cadê a opção para bater palmas para esse post? Querida Dra. Jéssica, seus conselhos são tão maravilhosos e é impossível que não seja útil a nossa querida leitora S.P. Realmente você disse tudo, estabelecer metas reais e possíveis é o segredo, porque se não tentarmos o primeiro passo nada sairá do papel isso serve a todos nós, muitas vezes eu mesma quero muito algo e não me esforço o suficiente ou não dou uma chance a outras tentativas.

    E em relação a filhinha dela, eu acho que você disse tudo Jé, antes de um filho, já existia uma união, perder essa conexão é prejudicial para o relacionamento e autoestima para os dois eu acredito. Mas olha S.P não desanime dos seus objetivos e não se entregue, mantenha a calma para cada etapa desse novo processo, se reorganize que assim eu tenho certeza que vai conseguir, boa sorte!!!

    Beijocas, bezinha!
    ♡ Casal Be&Be ♡

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    1. Obrigada pelas palavras carinhosas e pelo reconhecimento querida! O primeiro passo é sempre o mais difícil, mas é preciso enfrentar e seguir não é mesmo? Um grande abraço

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