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Apaixonadas no Divã: "Continuo ou termino esse relacionamento?"

1 comentários
Olá leitores! Pensaram que eu sumi? Nãooo! Só estava um pouco atrapalhada com o excesso de trabalho, mas hoje trago a vocês mais um caso inédito.

Nossa querida leitora P.S.S. compartilhou conosco uma questão muito difícil “continuar ou não o relacionamento”, acompanhem comigo seu relato (resumido):
"Eu tenho 5 anos de relacionamento. Estávamos morando junto há quase 3 anos, mas devido a crise e eu desempregada, só ele trabalhando e pagando aluguel, as coisas ficaram apertadas e resolvemos voltar para a casa dos nossos pais.
Nesse tempo tivemos momentos bons e ruins, sendo que os ruins mexeram muito comigo. (...)

No início era um namoro tranquilo, uma coisa legal, até que infelizmente ele ficou desempregado e veio morar na minha cidade onde conseguiu um emprego e veio morar na casa dos meus pais, aí começou o 1º problema... Uma tia minha não sei por qual razão começou a inventar fofocas no ouvido da minha mãe e a fazer picuinhas sobre nós dois (...) até que aconteceu uma discussão séria entre minha mãe, minha tia, ele e eu, e ele resolveu voltar pra cidade dele.

Neste período antes da discussão e da mudança dele já vínhamos tendo problemas, eu fazendo estágio e estudando a noite e ele trabalhando sem horário certo, quase não nos víamos direito e sempre tinha uma discussão, nesse tempo ele começou a mudar de comportamento, me pediu um tempo e eu disse a ele que, pra mim, tempo não existia ou ficava ou termina e ele decidiu continuar. Como eu fiquei com pulga atrás da orelha infelizmente entrei no face e vi trocando mensagem com meninas (...) quando li as mensagens foi uma mistura de raiva, tristeza, ódio, tudo que há de ruim se passou comigo naquele momento e com certeza quebra de confiança. Tivemos uma discussão feia, ele disse que nunca ficou com elas e que nunca iria me trair, só que pra mim aquelas mensagens já eram uma traição, mesmo que não tivesse rolado contato físico, ali tinha acabado a consideração e o respeito (...) só que as palavras dele naquele momento não tiveram nenhuma credibilidade. Naquele momento, resolvi passar a borracha e continuar, não confiava nele, mas também não demonstrava ciúmes, não mexia mais no face dele e as coisa foram se estabilizando. Passou um tempo e infelizmente meu estágio acabou e não fui contratada e fui pra cidade dele pra conseguir um emprego. Consegui um trabalho, mas teria que me mudar pra lá, até que ele fez a proposta de morarmos juntos. Aceitei infelizmente, na ilusão de que as coisas fossem boas, porém o trabalho começou e tava muito puxado, muito estressante, e e ele não ajudava em nada dentro de casa, (...) e fora esse fato começou de segunda a segunda família a amigos deles chegaram na casa sem hora pra chegar, sem hora pra sair, tirando totalmente a privacidade, faziam bagunça e deixavam a casa bagunçada (...) eu fiquei no último degrau de prioridade dele, o trabalho, os amigos, a família, os jogos onlines eram prioridade na vida dele, era tipo enquanto eu e a arrumação da casa ficávamos por último, tentei diversas vezes conversar com ele, sem discussão tentando ser compreensiva, porém ele não queria aceitar (...) era Deus no céu, eles na terra e eu no inferno, aquilo foi me consumindo de tal maneira que comecei a me estressar, ficar amarga, mal humorada, sem paciência, não queria ver ou ouvir nem ele, família e amigos, chorava escondida, tinha raiva e ódio só de ver eles na casa ou ele falar que eles iriam lá, comecei a ter sucessivas dores de estômago, fiquei sem voz de tanta irritação, foram os piores momentos que passei lá, (...) e com isso tudo voltei novamente a não confiar nele (...) comecei a mudar a minha postura com ele e foi quando ele deu uma sentida, percebeu que eu não me dedicava mais como antes, percebeu que eu tinha mudado e que a nosso situação estava insuportável.

Até que pra mudar essa situação, nos mudamos de casa e o acesso de tanta gente entrando e saindo ficou mais restrito, porém as consequências já estavam na minha cara e comecei a descontar toda raiva e ódio que ficaram guardados nele, (...) ele percebeu que só falar não iria me convencer de nada e começou a me ajudar nos afazeres de casa, me dar presente, coisa que só fez no início de namoro, fazer surpresas, ficar mais disponível, me escutar mais, me ajudar mais, me pediu desculpas e perdão de joelhos e disse que estava muito arrependido de tudo que ele tinha me feito passar e que conseguir ver pelo meu olhar o quanto eu estava mal, pediu perdão pelo o mal que ele tinha me feito, que sabia que eu estava sofrendo com aquilo tudo, que sabia que eu estava muito magoada com as atitudes dele, e uma dessas mudanças foi adotarmos cuidamos de um bichinho de estimação pra ficarmos mais unidos e saber que tinha um ser que precisava de nós dois pra sobreviver, que um deveria ajudar o outro para o bem estar do bichinho, neste período mesmo eu magoada, com raiva, triste a nossa relação foi melhorando e estava 50% melhor do que era antes, mas eu tava com os dois pés atrás com ele.

(...) Estamos novamente em um relacionamento a distância, mesmo com esses fatos , eu não acredito que ele possa ter mudado realmente apesar de dizer que quer casar comigo, que quer formar uma família comigo, que com dinheiro que iria pagar de aluguel vai começar a juntar pra fazer nossa casa, não consigo confiar nele, não sinto confiança nele, as atitudes dele sempre se mostravam contrarias das palavras, e acredito que com essa distância ele possa fazer as mesmas coisas de antes, mandar mensagem pra outras garotas mesmo estando num relacionamento, entre outras coisas. E creio que pra estar em um relacionamento tem que ter respeito, confiança, amor, carinho e pra mim isso foram coisas que foram perdendo força com as atitudes dele.

Queria saber se vale a pena dar essa última chance para ele e para o relacionamento ou se segue cada um seu caminho? Essa dúvida está me machucando por dentro.”


Como puderem ler, para P.S.S. a incerteza de seus sentimentos lhe gerou inúmeros prejuízos, inclusive fisicamente, como doenças gástricas causadas pelo psicossomatização de problemas.

Entre os pontos agravantes no caso de P.S.S. podemos destacar como grande vilão as “mudanças”. Muitas vezes quando nos envolvemos com alguém somos de uma determinada maneira, mas com as vivências e o amadurecimento, muitas vezes vamos nos moldando e se transformando ao longo do tempo. A frase “às vezes precisamos abandonar a vida que havíamos planejado, porque não somos mais a mesma pessoa que fez aquele plano“ se aplica muito bem para exemplificar. 

E quando essa transformação acontece sem o acompanhamento do parceiro, os conflitos tendem a acontecer. Enquanto P.S.S. estava formada, construindo sua carreira profissional, seu namorado estava levando os dias como um adolescente, entre amigos e jogos eletrônicos, sem responsabilidade alguma com a casa e a parceira por exemplo. E esse contraste pode se tornar insuportável se somado a outras frustrações. 

E porque insistimos em situações que já não se encaixam em nosso modo de ser? Existem inúmeros motivos, entre eles o mais comum é o desejo de pertença, de não estar preparado para deixar para trás algo que já foi bom. Como um apego infantil, é tão difícil se desfazermos daquela boneca preferida, afinal cada vez que a pegamos ressurgem lindas lembranças. Conseguem entender a semelhança? 

Outro motivo se dá na esperança que o outro se torne o “ideal” que tanto sonhamos, como se nossa paciência e insistência fossem suficientes para dar vida a nossas mais íntimas expectativas do outro. 

Mas em muitos momentos chegamos em uma encruzilhada da vida, em que a escolha é somente nossa, e para não lidar com o peso dessa decisão buscamos transferir essa responsabilidade para o outro, criando “desculpas”. 

No caso de S.S.P., talvez o fato dela se apegar tanto aos erros passados de seu namorado (que pelo que ela nos conta esta arrependido e se esforçando para reparar os danos) se configure como uma “desculpa” para se sentir menos culpada por não querer mais esta relação. 

E neste caso, o questionamento correto é o que realmente me incomoda neste relacionamento? Será que o problema não sou eu? Será que sou eu que não me encaixo mais nessa relação, pois já não sou a mesma de 5 anos atrás? E ainda, será que estou verdadeiramente disposta a me reapaixonar por este novo homem e esquecer o antigo? 

São respostas que somente cada um pode responder a si mesmo, porque envolvem muito mais que escolhas, e sim decisões que mudarão para sempre seu futuro. 

Relacionamento a dois envolve crescimento, cada fase da vida exige de nós uma reconquista, um reajuste na maneira de se relacionar. E quando isto não acontece é muito difícil sustentar o amor. E aí ou vivemos infelizes (mantendo uma relação ruim), ou sofremos para sermos felizes (terminando e seguindo sozinhos). 

Desejo que nossa querida S.S.P. possa refletir sob todas as questões que abordamos hoje, e consiga tomar sua decisão e ser novamente realizada. 

Caso já tenha vivenciado algo parecido, não deixe de nos contar sua experiência através dos comentários, e se infelizmente está passando por algum dilema em seu relacionamento mande sua história que terei muito carinho em publicá-la. 

Um grande abraço e até a próxima!

(Atenção: As informações contidas nesta publicação NÃO substituem um atendimento real em setting terapêutico adequado com um profissional psicólogo qualificado.)

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***OBS: Quem quiser participar da sessão Apaixonadas no Divã, pode enviar e-mail para blognamorados@gmail.com com este título.***
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Um comentário:

  1. Obrigada por postar essa experiencia conosco...A felicidade é uma questão de escolha...e nem sempre é estar com a pessoa errada.

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